O Mistério das Cabeças Encolhidas


Exemplo de cabeça encolhida

O povo Jivaro (que vive na área entre o norte do Peru e o Equador) dominava a técnica do encolhimento de cabeças, chamadas de "tsantsas". Esse costume era relativamente comum entre eles na América Pré-colombiana; cortavam a cabeça do inimigo e a preparavam em um ritual para ficar do tamanho de uma laranja. 

O processo de encolhimento varia bastante conforme a fonte. O mais fácil de tentar em casa, digo, de entender, envolve uma incisão na área da nuca, feita para tirar a pele e o cabelo, bem como fazemos ao retirar a pele de uma coxinha de frango durante o almoço. Algumas cabeças tinham os olhos e a boca "costurados" ou colados, e decorados de formas diversas, com sementes e óleos e etc. A gordura era então removida do interior da cabeça, que após isso era recheada com uma pequena esfera de madeira para manter o formato.

A cabeça era então tratada e fervida com carvão em brasa e areia, e moldada para permanecer com feições humanas. Esfregavam cinzas para "dar liga" e seguiam com banquetes e rituais durante os dias do preparo. 

Outro exemplo real

Enquanto as cabeças encolhiam, a demanda aumentava. As cabeças se tornaram um souvenir valioso para os primeiros colonizadores europeus, e um comércio rentável se formava, sendo feitas trocas por armas e especiarias. No início do século passado, embora com menos intensidade, esse comércio ainda existia. De fato, o termo "headhunter" usado em empresas atualmente vem dessa situação específica, onde se criou uma necessidade de obter cabeças humanas para vender. Antes disso, os índios não eram considerados caçadores de cabeças, pois embora elas fossem um tipo de troféu, só eram obtidas após batalhas e rituais religiosos. Só precisaram começar a caçá-las quando havia quem as pedisse...

Com o tempo, começaram a surgir cabeças piratas. Na Colômbia, se confeccionava tsantsas com crânios de bichos-preguiça ou macacos, e essa variação ainda é usada hoje para alegrar gringos. Se estima que a grande maioria das tsntsas expostas ao redor do mundo sejam fraudes (ou versões genéricas). Só que pelo menos UMA teve uma amostra de DNA coletada, em 2011, e foi comprovada sua autenticidade. Está exposta no Museu Terra de Israel, em Tel Aviv. De acordo com o estudo da dra. Gila Kahila Bar-Gal, a amostra é de pele humana, de um homem de origem afro-equatoriana.

"- Mas onde posso encontrar cabeças encolhidas hoje em dia??"

Me pego pensando nisso diariamente, e admito que não existem muitos locais aqui no Brasil, pelo menos não achei nada. Já vi em uma feira itinerante em Porto Alegre, há uns 15 anos, mas com quase toda certeza devia ser uma réplica. Sei que no museu arqueológico Ciro Flamarion Cardoso, em Ponta Grossa - PR existe uma réplica em uma exposição sensacional, e a original se encontra em uma coleção particular. Tem exemplares no Museu do Índio, em Tupã/SP, e também no museu Nacional da UFRJ...


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